sábado, 25 de julho de 2015

Resenha #14: Atemporal

Nota: 

4 SUBMERSOS E MEIO (MAIS QUE ÓTIMO)
Sinopse: Lucas, um jovem policial, encontra evidências de um crime não solucionado, e que foi cometido em 1983. O caso contém ligações com seu pai, um policial aposentado que se culpa desde então por não ter impedido tal homicídio que o marcou para a vida toda.
Disposto a desvendar o mistério e levar o assassino à Justiça, o jovem policial embarca em uma corrida contra o tempo, e, mesmo sofrendo ameaças, segue com a investigação obtendo também a ajuda de um misterioso informante.
Paralelo a isso, ele acaba tendo acesso a uma poderosa descoberta científica: a invenção de uma máquina do tempo que pode estar sendo usada por uma empresa para fins ilícitos. Porém, envolver-se nesse intrincado caso pode resultar mudanças inimagináveis na vida de Lucas e na de todos ao seu redor.


         Imagine que você é um detetive e está no ano de 2023. Há decadas, quando você nem sequer existia, foi encontrado na cena de um crime um objeto que não devia estar ali, pois ele era... do futuro. Confuso não? E então é nessa situação que você, ou melhor, Lucas se encontra, tendo que solucionar um caso peculiar e perigoso, no qual qualquer um pode ser o suspeito. Esse é o contexto de Atemporal, livro do autor parceiro Rodrigo Mendes.

Um barulho atrás de si foi o que ouviu primeiro. Infelizmente, foi muito lento. Ao se virar, um disparo o acertou na altura do rim esquerdo. Institivamente, disparou sua metralhadora, acertando o sequestrador que o havia atingido.
        Primeiramente, deixe-me fazer uma breve introdução à estória: Lucas é detetive, seguindo o caminho do pai aposentado, Rico. Vai tudo bem com sua vida até que a mesma é abalada por uma descoberta. O dr. Matheus, da 231ª Delegacia de Repressão ao Crime Organizado e Tráfico de Drogas, o relata sobre um fato curioso. Há quarenta anos na cena do assassinato do policial e amigo de Rico, André, havia sido encontrada uma placa metálica pequena. Nada de suspeito... por enquanto. 
       Mas com as novas invenções, foi criado um dispositivo que permite descobrir informações sobre determinado objeto. E foi descoberto que essa placa foi fabricada no ano de 2023. "Mas como assim?", você deve estar perguntando. É realmente confuso, algo que no presente foi fabricado aparecer no passado!


"Meu Deus do céu. Como é possível isto? Algo que nem estaria pronto ainda ter sido encontrado há quarenta  anos. Só podem ter errado. Ou então esse negócio já foi desenvolvido há muito mais tempo do que estão falando. Tenho que mergulhar fundo nisso."

     Há somente uma resposta plausível: máquina do tempo. Um grupo de cientistas paquistaneses está desenvolvendo uma espécie de máquina do tempo. E isso tudo está interligado a uma série de fatos: crimes, perseguições e muitos, mas muitos países. Com isso, Mendes vai arquitetando uma trama policial e com uma dose de futurismo e ficção científica. Um mix muito atraente e criativo.
       Os personagens são muito bem construídos, visto que o autor não se limita a narrar os fatos ocorridos na vida de Lucas. Narrado em terceira pessoa, Atemporal viaja para as situações de vários outros personagens, como Rico, Daniela, as irmãs de Lucas, e até mesmo os vilões! Inclusive há flashbacks com personagens falecidos.Isso achei muito interessante. E devo pontuar minhas impressões sobre três dos personagens da trama: 

.Lucas: apesar de um trabalho árduo e perigoso a exercer, o homem de 33 anos não é egoísta, pensando no próprio umbigo. Ele sempre encontra tempo para demonstrar suas preocupações com a família e a namorada Daniela.

.Daniela: trabalhando no Laboratório de Criminalística, a mulher não é apenas um rostinho bonito. Ela é astuta, inteligente, divertida, e especialista em comportamento humano, o que é muito útil para identificar alguém com más intenções.

.Rico: considerado um "dinossauro", o pai de Lucas e ex-detetive não quer nem saber das novas tecnologias, recorrendo a coisas obsoletas e quase extintas como rádios, telefones e táxis. É um tanto estressado e direto, porém há momentos que arranca risadas.

       Mendes vai então dando vida a uma estória surpreendente e cheia de ação. Algo que gostei muito foi que a grande maioria dos capítulos terminava com um parágrafo carregado de suspense, de modo que o leitor sente-se "obrigado" a ler os próximos. Assim, quando percebe, o livro já chegou ao fim.

Nenhum dos dois percebeu um carro parado do outro lado da rua, com dois ocupantes dentro, observando com atenção a cena que acabara de acontecer.
        Eu me senti um tanto incomodado com o relacionamento de Lucas e Daniela. O autor não conseguiu me convencer muito bem do sentimento dos dois, de forma que achei até um pouco forçado o modo como ele tentou expressar isso, com Lucas a todo momento pensando em protegê-la custe o que custar. Quanto ao Lucas, não consegui perceber nele uma evolução interna durante a trama. Tal mudança apenas fez-se existir nas últimas páginas do livro.
       Quanto ao final... pelo menos para mim foi surpreendente. Livre de clichês, Rodrigo Mendes conseguiu muito bem concluir sua obra de um jeito simples e ao mesmo tão genial. Eu formulei certas teorias sobre o final, mas nem uma sequer se aproximava da verdade. Não quero dar spoiler, mas se prepare! O fim desse livro esclarece tudo, dando sentido ao início do livro.
        O que está esperando? Se você gosta de viagens no tempo, futurismo, ação e supresas, Atemporal é uma boa pedida. Um livro único, divertido e de roubar o fôlego!

"Tempo", pensou ele, profundamente satisfeito com sua conclusão. "Estou prestes a ser o senhor do tempo".

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Um comentário:

  1. Adorei sua resenha, Davi. Ficou ótima! Valeu e um grande abraço!

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